segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Milênio

Posso passar mil anos
Me reencarnando em versos
Me propagando em um universo
A cada letra colocada no papel

Para a eternidade
Porque escrever é viver
E ser lido é nascer
Em outro corpo

Outra vida
Como sementes no bico
De pássaros fecundados
Semeadas em terra
Ou jogadas ao vento

Vagando sem direção
Ou com direção
Pois existe uma força superior
Que governa tudo a minha volta

Se faz frio ou calor
Se nasce ou morre
Renasce, se consome

O que seria a vida
Senão uma grande roda
Completada por aqueles que arriscam?

Temer a morte
Em si é já estar morto
Temer escrever o que sente
Em si, é nunca ter nascido

Podem se passar mil anos
Sem uma caneta, um papel, um verso, um amor
Um milênio seria tão efêmero
Quanto um piscar de olhos.


Pedro Bragança

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