segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A sexta-feira mais curta da minha vida

Geralmente comemoramos uma sexta-feira
Fim de semana é sempre bem vindo
Mas aquela sexta traiçoeira
Eu preferia não ter vivido
O dia começou tranquilo
Eu fui pro trabalho apressado
Não sabia o que estava vindo
Não temia o inesperado
No serviço eu queria ir embora
Algo apertava o coração
O destino me colocou a prova
testou minha emoção
Por volta de dez horas
Antes de almoçar
Me veio a noticia
Eu me recusei a acreditar
- Seu vô Zuza faleceu
Fui tomado por uma intensa dor
Ali o meu eu se perdeu
Ali minha sexta-feira acabou
Eu me perdi no tempo
Não consigo me encontrar
Todas as noites eu tento
Meu sorriso recuperar
Embora eu não pare de tentar
Sei que é uma busca inútil
Perdi minha sexta-feira
E parte da minha vida
Das lembranças vividas
Das birras por algo fútil
Naquela sexta-feira e até hoje
Me sinto um completo inútil
Que não fez nada pra mudar
De mãos atadas
Quando meu avô morreu
Eu não estava lá
Pra me despedir
Ou quem sabe o salvar
Nada que eu escreva
Nada que eu fale
Irá mudar
Mas, dois anos se passaram
E embora eu não escute
O bater de martelo
Daquele velho carpinteiro
Eu sinto sua presença
Até na chuva que molha o terreiro
Aquela foi a sexta-feira mais curta
Que eu vivi em toda minha vida
E ela ainda não passou.



Pedro Bragança

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