terça-feira, 2 de setembro de 2014

Um apelo em letras garrafais

Ipatinga, 23 de maio de 2012.
Procuro um amor. Um amor daqueles mágicos, que mexa comigo. Um sentimento que de tão intenso se manifeste na pele. Um amor que de tão forte procure uma rota de fuga pra fora de mim.
Quero um amor que me envolva, que nasça dentro de mim e que após amadurecer exija alguém pra compartilhar. Procura-se.
Vou fazer um retrato falado assim que meu amor ganhar um rosto. Irei colar cartazes nos muros grafitados da cidade, usarei uma fonte enorme pra ser notado, talvez eu grafite também. Colocarei frases de efeito ou algo bem romântico, usarei de argumentos convincentes para que o amor veja o quão dependente eu sou dela. Espalharei nos jornais, na sessão de classificados para que o amor se candidate, deixarei meu número e endereço. Onde puderia estar vagando meu amor?
Contratarei um carro de som e pelas ruas da cidade se ouvirá nossa música tocando ao fundo, enquanto no primeiro plano, em um tom mais alto, será recitado Shakespeare ou Carlos Drummond. Os panfletos eu irei distribuir pessoalmente, já quanto aos banners e outdoors vou precisar gastar um pouco pra fazer. Preciso muito mesmo encontrar meu amor. Vou gastar minhas economias nisso.
Porque se esconde de mim o amor? Acaso não entende que sem ela não vivo?
Cada dia, cada segundo que passo sem ela é como se parte do meu ser perecesse. Não significa dizer que amo menos, pelo contrário, amo cada vez mais. Só que um amor fragmentado dentro de mim.
Irei dar queixa na polícia. "Doutor delegado, perdi o amor, e já faz horas, veja meu estado, me ajude." Vou precisar fazer um retrato falado, mas como? Preciso descrever um sentimento indescritível. "- Olhe pra mim me desenhe, porque eu sou todo amor, tanto dentro, quanto do coração pra fora."
Deixo aqui escrito um apelo em letras garrafais, perder o amor pra mim foi como tomar uma caixa de comprimidos letais e agora estou perdido nesse mundo de desamor, sendo cortado por dentro pela saudade de algo ou alguém que ainda não tive o prazer de conhecer, mas que já amo com toda força que existe dentro de mim.







Pedro Bragança

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