quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Silêncio, maldito silêncio


Mas porque, cargas d’água esse silencio?
Acostumado com carros, buzinas, conversas
Agora em meio ao silencio da roça
Ouvindo o som do sabiá
E o borbulhar da água na taboca.
Silencio que me tira a agitação
Me deixa calmo, preguiçoso demais
Será que viver muito tempo nesse silencio eu sou capaz?
Volta, por favor volta barulho
Volta e traz contigo aquela dorzinha de cabeça no final do dia
Não agüento mais essa saúde,
Quero de volta meu stress
Cadê aquele sapato que me dói os pés?
O latejar do calcanhar naquelas ruas conturbadas
Me deixou saudade
Agora nessa paisagem,
Bela paisagem, não vou negar
Eu vejo o luar, escuto o beija-flor pairar
E me pego a imaginar
Aquele barzinho com gente alegre
Como será que está?
Eu que nunca deixei de escrever
Olha pra você vê
Não sei o que fazer embrulhado nesse silencio absoluto
Por isso aqui descrevo o dia que fiquei de luto.
Luto pelo barulho
Luto também pra sair dessa quietude
Quero poder voltar a gritar com as pessoas no transito
Ah, tempo bom, sinto saudade.
Pare de piar, maldito sabiá
Mesmo a quilômetros de mim
Insiste em me incomodar
Espere pra você ver
Pra cidade eu vou voltar.
Cansei de reclamar, meu avô, falecido avô
Me chamou pra pescar
O riacho parece estar na mesma direção onde cantava o sabiá.
Eu sabia!
É, dessas primeiras quatro horas na roça
Pra sempre vou lembrar.




Pedro Bragança

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