quarta-feira, 30 de julho de 2014

Vida

Escrever sobre o que não conhecemos é difícil, não conheço a morte, embora já tenha visto ela bater várias vezes na porta, eu vou ousar falar de morte, mas a última palavra vai ser vida, porque a primeira não existe sem a segunda.
Perder alguém que amamos é difícil. Perder aos poucos entao é torturante, saber que aos poucos nos distanciamos e que a separação total é questão de tempo nos faz sofrer antecipado.
Uma das piores coisas que eu consigo pensar nesse instante é essa antecipação do sofrimento. O namorado de uma amiga minha tem um pai que está acamado, em estado terminal, o médico entre suas inúmeras responsabilidades, ainda esta incumbido de preparar a família para o pior. Esse "pior" é extremamente relativo quando o pior para a família é o melhor para a pessoa debilitada, que sofre duas vezes, uma com as dores da doença e outra com o próprio sofrimento dos parentes e pessoas próximas.
Quando a morte bate na porta devemos ser fortes, se bater na sua porta seja forte para que as pessoas que você ama não sofram, se bater na porta de alguém querido seja forte para que o sofrimento não venha antes da hora.
Sofrer é inevitável, nascemos para sofrer, mas o sofrimento não pode ser a regra. Que a felicidade seja a regra em nossa vida e a dor do sofrimento uma exceção, um acidente.
Se a felicidade for a regra em nossa vida, com toda certeza vai ser na vida das pessoas que nos amam.
Que conselho ou que palavra de conforto dizer para o namorado da minha amiga? Eu já passei por isso com meu avô Zuza, e sei que quase nada pode confortar um coração que se despedaça aos poucos. Quase nada, porque na vida tem jeito pra tudo, e nesses casos o "jeito pra tudo" que a vida tem para confortar  é o próprio tempo, o ruim é que esse tempo se dilata quando antecipamos o sofrimento.
Ao namorado da minha amiga, eu diria pra ser forte como nunca foi e como nunca imaginou ser um dia, ou chegue o mais perto possível dessa força, pois a vida é assim mesmo, nos entrega com uma mão e nos tira com a outra, mas não deixe que o sofrimento vire regra, tenha em mente que uma floresta não sangra por perder uma ou outra folha, jamais antecipe o sofrimento, busque no interior um sprint final de força, um ultimo gás de felicidade e um sorriso alegre para aquele que te trouxe a vida.


Pedro Bragança

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