sexta-feira, 18 de julho de 2014

Saudade II


Perco o sono, perco o rumo, perco o prumo. Uma manhã fria, volta as aulas, aquele friozinho diabólico que deixa roxo os lábios, deixa seco a boca, e deixa frio o coração. Um frio de ranger os dentes e corar as bochechas. O vento frio que vem ao meu encontro traz lembranças de você, a sensação é que uma pequena corrente elétrica me percorre a espinha, algo em torno de 6 volts, 1 mili amper, o bastante pra criar uma conexão com o vento frio e permitir seu diálogo com a minhas costelas.
Aprendi que quando a dor aperta assim e o coração parece gelado, mesmo em dia quente, damos o nome de saudade. Uma dor que descortina os sentimentos mais ocultos, faz tremer músculos que até então eram desconhecidos e materializa em forma líquida e salgada toda a dor da ausência que o corpo carrega. Uma lagrima cai.
É natural sentir saudade, estranho é não poder saciar essa vontade de estar perto. Sinto saudade do meu amor desde exatos três minutos após a despedida, não entendo o motivo de ser sempre esses três minutos, e olha que eu já refleti bastante sobre isso.
O primeiro minuto eu chamo de fase de êxtase, nesse minuto eu fico anestesiado de carinho, amor, felicidade, nesse minuto nada pode me afetar, nem me fazer infeliz, este é o ápice dos sentimentos.
O segundo minuto eu apelidei de minuto ressaca, uma ressaca boa, aquele gostinho do ultimo beijo ainda dançando por entre os lábios, nesse minuto a cabeça gira, mas é uma ressaca boa.
O terceiro minuto é o minuto dúvida. Quando vou voltar a vê-la? Será que ela também sente isso? O que é "isso"? Nesse minuto a mente é um caos, e eu preciso ser forte pra não me perder.
Depois desses três minutos a saudade vem gritante como uma sirene de ambulância ao socorro de um acidentado caído do asfalto.
Eu entendo que esses três minutos pré saudade são necessários, a própria saudade em si é um mal necessário pra que o sentimento evolua, necessário pra que seja valorizado cada segundo perto, e portanto, essencial pra que uma amizade ou um amor sempre se solidifiquem mais e mais a cada reencontro.


Pedro Bragança

2 comentários:

  1. " a própria saudade em si é um mal necessário pra que o sentimento evolua"

    Algo mais?!!!

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    1. Aquele negócio Duda, a saudade aumenta o sentimento intenso e sincero, igual o vento aumenta aquela chama forte. Entretanto, o vento também apaga aquela faísca fraquinha...

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