sábado, 26 de julho de 2014

O vento

O vento com toda sua invisibilidade e frieza colide com os amontoados de alvenaria do centro da cidade, surge então um diálogo incessante e intraduzível que nossos ouvidos mortais jamais entenderiam.
É difícil para os ouvidos humanos decifrar ou interpretar o barulho do vento. Creio que o vento é o próprio sentimento, ele sopra as pessoas ou entra em seus pulmões e sai levando contigo o que essa pessoa sente.
Se alguma coisa te incomoda entrega pro vento! Deixa que ele se encarrega de levar tudo que está em seu íntimo. Respire fundo.
Escute o vento, tente senti-lo, mas sem procurar uma tradução. Lembre-se que o vento é sentimento de alguém em outra parte do mundo, da cidade ou do muro. Então sentir o vento é sentir algo que alguém sentiu em algum lugar, sentir o vento pode ser amar alguém, ou até mesmo odiar na falta de vento, já que assim como as trevas é a falta de luz, o ódio é a falta de amor. Uma brisa leve seria um amor no inicio, aquela paixãozinha de começo de namoro, que com o tempo vai criando raiz e se torna um furacão.
Sinta o vento, se apaixone, se perca, se ache. Respire fundo e deixe o vento te encher de sentimentos novos, deixe que ele carregue pra longe os sentimentos que não te acrescentam nada. Se permita sentir o vento no rosto imaginando quantos rostos e quantos corações foram tocados antes do seu.
Aprender os mistérios do vento é uma tarefa difícil, tudo que é invisível aos olhos é difícil compreender mas ao mesmo tempo essencial, assim é o amor, assim é também o vento.


Pedro Bragança

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