sábado, 12 de julho de 2014

E o verbo se fez carne

E após vários minutos lendo, relendo, lendo mais uma vez, se apaixonando, fiquei imóvel. Mais imóvel que atacante da seleção brasileira em semi-final da copa de 2014 (espero um dia não precisar desse tipo de humor). Que delicia é ler algo que nos imobiliza, que toca nossa alma nos deixando bobos e satisfeitos, ou espertos e insaciáveis. O interessante de uma boa leitura é isso, a incerteza, a imprecisão e imprevisão do efeito que ela causará.
Um leitor esperto abusa das palavras, frui delas como quem chupa uma laranja, espreme a palavra até obter dela tudo que ela tem a oferecer, é como se a palavra fosse uma cana, e a mente um engenho, ali a palavra é moída de um lado sai o bagaço, do outro o mais doce e divino nectar dos deuses.
Quem lê minhas palavras com o sentimento que eu escrevo enxerga o mundo com meus olhos, escuta os sons e ruídos que eu escuto e produzo, enxerga as cores que eu enxergo e conhece aquelas que eu invento.
Escrever então é mais do que descrever, o texto é uma extensão do autor, é a externalização dos sentimentos, o escritor deve ser transparente como uma criança,pois uma criança não sabe conter suas emoções, isso as torna puras, uma criança é incolor, se tá triste chora, se tá feliz sorri, uma criança nao vive meias verdades. Assim tambem deve ser o escritor, escrever como uma criança que conhece as regras gramaticais, brincar com as palavras como quem puxa um carrinho ou pentea uma boneca. Me perguntaram o que é poesia, hoje eu sei que poesia não é mas sim está. Poesia está no sorriso de alguém que amamos, vejo poesia nas coisas vivas, poesia é movimento, poesia não é rimar, não é seguir uma simetria no texto, não é nada disso, eu sei que um texto é poesia quando as palavras me fazem tremer, arrepiar, sei que é poesia quando minha cabeça parece que vai sair do corpo, quando a pele parece que vai desgrudar dos ossos, poesia é sangue, é carne, e o verbo se fez carne, poesia está dentro de cada um de nós, ela é sorriso, é lágrima, é ódio, e é amor também.



Pedro Bragança

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