quarta-feira, 18 de junho de 2014

Vida de criança

Hoje a tarde enquanto observava crianças em um parquinho desses de praça, me recordei de quando as únicas preocupações que eu tinha eram sobre coisas como ter uma mochila de rodinha, ou completar um álbum de figurinha do pokemon, e às vezes coisas mais sérias como por exemplo sentar perto da menina mais bonita da sala ou levar uma lanche pra escolinha melhor que o do coleguinha, e até mesmo ser o único da sala com um estilete feito com lâmina de apontador fixada em tubo de caneta derretido.
Acho errado quando nos referimos à infância dizendo ser o tempo em que éramos felizes e não sabíamos, afinal éramos felizes sim, e sabíamos muito bem disso. Criança é mesmo um ser feliz, não é atoa aquela musiquinha "criança feliz quebrou o nariz", pois, mesmo o fato de fraturar o nariz não estar relacionado à situação emocional da criança, tenho certeza que qualquer adulto ficaria extremamente infeliz.
Voltando ao evento cotidiano que me despertou essa vontade de escrever... Essas crianças brincando no parque daquela pracinha, sujas de areia, pregando de suor, cada uma com dois dentes a menos, no mínimo, mas, acima de tudo felizes e sorrindo. A inocência de uma criança é algo tao puro, é arrepiante imaginar nossa alma como uma tábula rasa, ou uma folha em branco quando nascemos, e que aos poucos, com as experiencias vividas, essa tábula ou folha em branco são preenchidas com descobertas, amores, decepções, micos, amizades, etc. No rodapé da alma são gravadas os pensamentos, as notas de opiniões que formulamos ou somos induzidos a pensar.
Mas as crianças naquele parquinho não possuem opiniões, não opinam sobre política, religião, ou futebol, elas são puras, estão com a alma limpa, como a folha em branco, talvez tenha um rabisco ou outro esboço à lápis, mas nada que as faça sofrer ou fazer alguém sofrer, nada que a escravize.
Uma criança, aparentemente seis anos de idade, desce no escorregador de madeira, dá a volta no brinquedo, escala a escada, e desce outra vez, duas, três, quatro, várias vezes, me parece que está se condicionando, aprendendo que na vida adulta, por trás de toda aquela areia, e longe daquela praça, a vida tem seus altos e baixos, e que nela, assim como no escorregador, devemos subir degrau por degrau, e se por acaso escorregar, devemos contornar o brinquedo e subir outra vez.
Quero um dia ter filhos, e poder ensinar pra eles de forma divertida e sem fugir da infância, existe uma vida além do parquinho, e que nessa vida não há mal algum em ter alma de criança e assim sorrir sem motivo.



Pedro Bragança

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