quarta-feira, 11 de junho de 2014

Terra, um quadrilátero desigual

O mundo é um quadrilátero desigual, onde as pessoas vivem paralelas umas às outras sem se tocarem nunca, como as retas opostas que formam um quadrado.
Uma forma geométrica utilizada desde os primórdios, um planeta ainda virgem e inexplorado, onde corria mitos e medos, vindos de mentes criativas que, sem nenhum recurso faziam do planeta um mundo utópico e hostil. Imperava a ficção de que deuses e criaturas sombrias pairavam sobre a terra e dividiam o solo com simples e frágeis mortais. Uma caixa, o mundo para nossos antepassados era quadrado e a versão grega da história da maçã envenenada no paraíso conta a história de uma caixa, a caixa de pandora, onde quem abrisse seria detentor de todo o conhecimento, do que é certo e errado, e se assemelharia aos próprios deuses, tentador! Tão tentador como comer do fruto proibido no paraíso! Hoje em dia sabemos o que é certo e o que é errado, mesmo assim não nos assemelhamos nem um pouco a deus.
Hoje a caixa continua marcando presença, pois vivemos em uma grande caixa, nossa casa. Porque as casas não são redondas como os iglus no pólo norte? Passamos horas em frente a uma caixa que emite sons, caixas slim, espremidas de forma que parecem quadros, quadrados de alta definição que resfriam a casa com notícias fresquinhas, bombardeiam nossa residência com noticiários que às vezes nos deixam quadrados.
Saímos de casa e vamos para o serviço em uma caixa, não importa qual caixa seja, ou melhor, importa sim, pois você será muito criticado se dirigir uma caixa popular, apenas às caixas do ano fazem sucesso, e nem te conto se você vai pro serviço em uma caixa coletiva...
No serviço você trabalha em frente a uma caixa conectada a internet, atende inúmeras pessoas cada uma com uma caixa pensante, e você fica em sua cachola matutando “porque o relógio da parede é quadrado?” Precisa de uma caneta pega na caixinha de canetas, vai carimbar um documento e percebe que o carimbo é quadrado, olha pro calendário pra não colocar a data errada e percebe que ele é um quadrado cheio de quadradinhos que representam os dias do mês.
Fim do expediente, hora de ir pra faculdade, chega abafado por subir a rampa apressado, parece que seu pulmão irá romper sua caixa torácica, olha pro quadro negro, ele é branco, mas ainda sim quadrado, seu amigo de turma pergunta se você gostou do novo quadro de algum programa de TV, você não prestou atenção naquilo que ele falou, por isso você fica todo quadrado por não ter resposta.
Volta pra casa e abre uma caixa de leite, pega a faça na gaveta, que nada mais é do que uma caixa numa grande caixa, o armário.
Antes de dormir dá uma olhada na sua caixa de email, e na sua caixa de mensagens do celular.
 Vira pro lado na cama e olha pela janela, a lua parece quadrada olhando daquela abertura na parede, você pensa filosoficamente em como é possível o mundo inteiro caber ali naquele quadrado que é sua janela e vai mais fundo quando percebe que o final de todo ser humano é uma caixa a sete palmos do chão.
Então devemos viver nesse mundo quadrado, correndo atrás dos nossos sonhos e tentar arrancar das pessoas sorrisos redondos, pensamentos redondos e atitudes redondas, passar por esse mundo quadrado e ser feliz enquanto estamos na vertical, pois o tempo passa rápido e a qualquer hora ele pode se encarregar de nos colocar na horizontal.



Pedro Bragança

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