quarta-feira, 18 de junho de 2014

Tecendo letras

Giz, poeira, grafite, tinta azul da caneta bic ou a lápis, escritos eternos no sangue como deveria ser uma tatuagem, mas hoje até a mais avançada tecnologia laser pode apagar. Assim também são essas palavras, onde o ar de modernidade e da "evolução" tenta censurar dos leitores seus efeitos, mas seus efeitos não, esses ficam eternamente registrados como desenhos em pedras que foram catalogados, classificados, estudados e reproduzidos a fim de entender os pensamentos do antepassado, o escritor, este sim sobrevive imortalizado pelo legado. Aquele legado escrito, falado, interpretado, elogiado e criticado, principalmente criticado, críticas severas, desmotivadoras e maldosas que fazem com seus textos o que o vento faz com o fogo, é como dizem...apaga a pequena e frágil chama ou inflama aquela palavra forte e insistente. Seus textos são persistentes quase vivos e suas palavras são breves, sucintas, diretas como o golpe cruzado de um pugilista, outras vezes macias como uma pluma da mais delicada ave. O processo se inicia com reações químicas entre células nervosas no interior do vasto universso mental, ali dentro daquela crosta óssea a mágica acontece, as experiências da semana se convertem de forma miraculosa, os acontecimentos observados pela cavidade ocular são fragmentados, depois reunidos, outra vez picotados e colados, peneirados e assim selecionados, aí vem o tempêro, porque ninguém quer uma leitura sem sal, então colocamos uma pitada de sentimento, gotas de humor e muita vontade de mudar o mundo, pronto! Eis a receita, ou talvez a fórmula desse farmacêutico literário. Agora tem que sair do papel, ou melhor, agora tem que ir pro papel, dalhe mais uma porção boa de vontade, me vê palitos, digo lápis. Todo artezão precisa de ferramentas, uma avó não tricota uma meia pro seu netinho sem agulhas e muito menos sem linha, mas espera aí, linha eu tenho! Posso retirar do imenso novelo cerebral.
Uma vez criado tem que testar, olhar se serve... cadê o netinho, cadê o leitor, cadê? Qual foi? Cadê os amigos? 
"Bora tomar um shopp?"
Mas que tal dar uma olhada no meu texto antes? 
"- Oshe, tô sem tempo pra isso, vamos falar daquela gatinha, tô doido pra beijar, num mexe com isso de escrever não, coisa de marica". 
Obrigado, mas pelos tapas na cara por cada linha, não me rendo. 
"- cadê o texto de hoje?"
Querem me colocar sob pressão, pra fazer o texto do momento, às vezes é mais sensato fazer do momento um texto. 
Pronto! Chegou ao papel, e agora? 
Vai ser lido? 
Não vai? 
Irão gostar? 
E se acabar a tinta?
Não sei, se a bic falhar vou sangrar pra escrever, e o mais importante, essas idéias chegaram no papel. Ufa! Desocuparam seu leito no bagunçado e cinzento HD mental.



Pedro Bragança

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