sexta-feira, 13 de junho de 2014

Razão e emoção

Ele é o Pink e ela o Cerebro, quem não lembra daquele desenho infantil onde dois ratos de laboratório procuravam formas engenhosas e mirabolantes de dominar o mundo, pois é, ele é o Pink, o rato movido pela emoção, já ela é o Cerebro, razão em primeiro lugar, ela coloca o cérebro no lugar dele, lá em cima, primeiro ela pensa, repensa, pensa outra vez. "- E se acontecer isso? E se der errado? Mas se der certo?"  Minuciosamente ensaiado, experimentado, pensado, cada passo, cada sim e principalmente cada não. Ela aprendeu a viver assim, talvez alguma decepção tenha feito ela mudar, eu arrisco que antes ela era Pink também. Vou mudar a analogia, ele é Don Quixote de La Mancha, o lendário cavaleiro andante, uma história de 400 anos, livro mais lido no mundo, só perde pra bíblia, diga-se de passagem. Ela é Sancho Pança, seu fiel escudeiro, a razão, sua lucidez. Sancho Pança, auxiliava o seu amigo e amo, que era um jovem sonhador, maluco beleza, e Quixote imaginava um mundo diferente, idealizador, criava ambientes e verdadeiras batalhas com o coração, não dava um passo, não olhava pra nenhum ser, animado ou inanimado, sem ter sentimento. Em uma oportunidade, talvez a mais famosa da saga de Quixote e Sancho, ele (Quixote) enfrenta moinhos e pronuncia palavras heroicas afirmando ser dragões, Sancho pança com toda razão e sobriedade tenta alertar que são moinhos de vento, tarefa difícil, o sentimento tem uma força criadora incrível, tanto que acaba encontrando uma solução, inventa magos que transformariam os dragões em moinhos.
A verdade é que o sentimento não vive sem a razão, essa por sua vez não arrisca sem sentimento, parece que o coração realmente tem razões que a razão desconhece. Por fim não podemos separar Pink do Cerebro, nem Don Quixote de Sancho pança, muito menos ele dela.

Pedro Bragança

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