sexta-feira, 20 de junho de 2014

Mostra a sua cara

Ó pátria amada salve, salve, nos salve, nos livre das mãos gananciosas que nos governam com punhos de aço alçados ao céu de quatro em quatro anos, enquanto descansam pousando sobre o bolso do particular. As mãos descalejadas e macias, preparadas pura e simplesmente para dar tapinhas nas costas do cidadão na hora de votar. Ó mãe gentil, que em estado puerperal elimina seus pobres filhos, frutos de uma aventura em alto mar a procura de um caminho mais curto e seguro para as índias. E que todo o mar desbravado e inconseqüentemente explorado a quinhentos anos sirva de palco pra mais um brado retumbante de clamor do povo que vai à rua devastar o solo que pisa, depredando e disseminando o patrimônio comum ao mesmo tempo que brincando de pirofagia com o transporte coletivo e com a legitimidade de reivindicar aquilo que entende seu por direito, enquanto isso mais um senhor de engenho dá gargalhadas e cospe arroz sentado em uma cadeira na ponta de uma mesa de jantar, assistindo as manchetes em sua TV de 50"  HDTV, com duzentos canais via satélite, já que na ilha particular onde chegou de helicóptero, não tem sinal de TV a cabo. “Batam palmas, a mágica do enriquecimento invisível, faz sumir a grana do seu bolso e ir pra cueca deles como era previsível”. E os filhos deste solo sem ter o que comer, a mercê da criminalidade ó mãe gentil, cadê a gentileza, cadê a tutela do povo heróico, cadê a compreensão com o idoso, cadê? Gigante pela própria esperteza, esperteza dos que “passam por cima” do legítimo detentor do poder, o povo. Povo que se mata, se agride, entre si. Povo que quer fazer justiça com as próprias mãos talvez pra desabafar a insatisfação erroneamente, povo inocente, pobre povo, além de dar o seu dinheiro e o seu poder para meia dúzia de corruptos, ainda sobra tempo para agredir uns aos outros e distrair aqueles que de brasileiros não têm nada.



Pedro Bragança

Nenhum comentário:

Postar um comentário