quinta-feira, 12 de junho de 2014

Meu querido rádio relógio

Porque quando estamos  amando, se é que amar é um estado, tudo que fazemos, olhamos, ouvimos, sentimos ou tocamos, nos faz lembrar daquela pessoa.
Paro pra pensar quando coloco a cabeça no travesseiro, e chego a conclusão que anormal é não amar e que o "estar amando" é o estado natural do homem, algo tão raro nesse mundo artificial.
Seria engraçado, mas ainda sim incrível, se o amor adquirisse algumas características de objetos criados pelo homem. Não que o amor precise ser sintético, isso jamais! Embora já existam alguns casos assim, de amor artificial, mas talvez o amor se tornasse funcional, fabricável, produzido em larga escala, com pleno emprego dos recursos, e distribuído de forma que sobrasse, aí está um produto que não seria desperdiçado.
Queria que o meu amor tivesse algumas características do meu rádio relógio por exemplo. Antigo ele já é, as nossas conversas carregadas de versos musicais, também é algo presente tanto no meu amor, quanto no meu radio relógio que a partir de agora será RR. Imagina que incrível poder colocar meu amor pra despertar varias vezes ao dia, todos os dias da semana, assim, quando eu estivesse agitado na correria do dia-a-dia, me surpreenderia e em seguida me acalmaria com o despertar sonoro do amor. Mais incrível seria se o meu amor tivesse a função soneca do meu RR, nossa! Ao acordar, bastaria um leve toque e voilá ! Mas dez minutinhos ao lado do meu amor.
A verdade é que meu RR nunca chegará, aos pés do meu amor quando o assunto é importância. Afinal, meu RR me acorda todos os dias pra ir ao serviço, já meu amor me acorda e me dá motivos todos os dias, pra viver.



Pedro Bragança

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