domingo, 29 de junho de 2014

Falar de amor

Falar de amor sem perder a cor, morrer de amor e aí sim viver dele. Juntos somos os dos extremos, eu preto, todas as cores misturadas, ela o branco, a ausência de todas as cores. Às vezes invertemos os papéis, eu viro o branco e ela assumidamente incorpora todas as cores juntas. Somos dois extremos, Oiapoque, Chui, ela quente, eu frio, eu fogo e ela gelo. Talvez por isso tanto desentendimento e ao mesmo tempo tanta necessidade um do outro, quando sou fogo preciso de gelo para não queimar alguém, quando gelo preciso de fogo para não me silenciar para sempre. Vivemos em um eterno atrito, um contato de resultado indecifrável. Apenas depois do primeiro toque nos deliciamos com as improváveis consequências, vez ou outra ela precisa de paciência pra aturar minha maluquês, e eu preciso compreender o ciúmes dela.
Às vezes eu piso na bola, tudo bem às vezes não, estou constantemente pisando nessa forma geométrica tridimensional simétrica, e ela por ser extremo, nunca cometeu se quer um deslize, sempre foi correta e incomparavelmente sincera.
Não sei se mereço cada vez que fui perdoado, pois quando nem eu me perdoava, ela levantava meu queixo, secava as lágrimas, me olhava nos olhos umedecidos, e dizia o quanto me ama acompanhado de um doce "eu te perdoo". Tenho medo que a minha triste imperfeição mate o que ela tem no coração, tenho muito medo de chegar ao fim e não ter alcançado o que ela esperava de mim. Nunca desistirei dela, muito menos abrirei mão de fazer dela a mulher mais feliz do mundo, posso morrer tentando, disso tenho certeza. Mas quer saber se já pensei em desistir de mim?
Hoje de manhã eu estava pensando nisso.
Não importa quantos leões por dia eu precise matar ou quantos dragões eu precise combater para fazê-la feliz, eu vou derrotar todos os inimigos, mesmo sabendo que o pior inimigo está ali dentro daquele espelho.





Pedro Bragança

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