sábado, 14 de junho de 2014

Educação padrão FIFA

Imagina que louco seria estudar, ter professores que satisfazessem suas dúvidas e perguntas mais gritantes!
Sentados num banco da praça olhando a marginal, inúmeros carros tornavam aquela visão algo espetacular, barulhos e sirenes emanadas de luzes que ofuscavam a visão eram a trilha sonora deste evento cotidiano.
Ela estava sentada no centro e do seu lado duas crianças de rua, pés e mãos sujas como o chão, e mentes férteis como a terra, enquanto escutavam mais uma história. Pelo menos uma vez na semana ela iria àquele banco de praça e iria ler para eles, semana passada foi "Mil milhas submarinas", eles que só iam à praia vender picolés ficaram entusiasmados com a ideia de uma aventura sob toda aquela aguá salgada, mas essa semana é um livro com mais ação, um exemplar da saga jornadas nas estrelas, e eles se sentiam dentro do livro, olhavam pra marginal e viam brotar daquela selva de pedra e cimento, estrelas e mais estrelas, pareciam estar em um cruzador inter estrelar que penetrava entre os carros desviando de forma violenta, tão violenta quanto os dias em que nao tinham histórias para ouvir e viviam de sinal em sinal torcendo pra chegar logo o "dia da fessora", era como eles chamavam aquele encontro semanal. Na história os heróis precisavam fugir do raio de atração do buraco negro para não serem sugados, mas os meninos mal sabiam que, assim como os heróis da história, eles lutavam todos os dias para não serem absorvidos pelo buraco negro do preconceito, pela chuva de meteoros da discriminação, e pela falta de oxigênio no vácuo da pobreza. Para aquela mulher cada encontro era o dia do aluno, dia do bem e dia de investir no futuro desse país.
As crianças são o futuro e a esperança do país, então olha a pedofilia, estão estuprando a nossa esperança todo dia. Eu quero viver pra ver isso mudar, e viver um pouco mais pra ver aquela professora com mais alunos, talvez eu seja teimoso e persistente, talvez eu faça "hora extra" aqui na terra para ver aqueles alunos em uma sala de aula de verdade.



Pedro Bragança

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