segunda-feira, 16 de junho de 2014

Copos cheios e pessoas vazias

Aqui nessa mesa de bar, o garçom (que até então estava cansado de escutar centenas de casos de amor), agora está cansado de ver pessoas curvadas sobre seus ipods, ipads, iphones, smartphones, tablets, xinglings e outras drogas afins. É estranho a lacuna que esses aparelhos abrem no relacionamento moderno, que cá entre nós não da pra chamar de relacionamento no sentido da palavra, pois chega a ser contraditório, uma tecnologia cada vez mais desenvolvida, criada a priori, para aproximar as pessoas do mundo inteiro e acaba separando por quilômetros de distancia quem está bem do lado. Olho pra mesa ao lado, um casal de namorados, parecem não ligar um pro outro, cada um em uma ponta da mesa, cabeça baixa como de costume, iluminada por uma caixinha de circuitos integrados, leeds e micro chips de ultima geração, pelo menos nos ultimos dez minutos era de ultima geração, agora já existe um mais potente, com mais memória, ou com uma camera com imagem avançada, um que venha com algemas visíveis no lugar dessas algemas mentais. Olho pro lado oposto, aqui nesse estabelecimento comercial, uma mesa redonda bem no fundo, próxima a um extintor de incêndio e uma planta sintética (como os relacionamentos modernos), em volta da mesa oito jovens, uniformizados, me parecem ter chegado de uma faculdade, acontece que esse bar é meio que universitário, eles parecem estar em um transe hipinótico, o garçom não pergunta nada, apenas traz uma cerveja e bota na "camisola" pra manter gelada em cima da mesa, acho que são frequentes ali naquele bar, ou talvez o garçom não tenha perguntado porque sabe que seria em vão, olha pra eles, rostos iluminados e afeições geladas no rosto como a cerveja sobre a mesa, todos estão fisicamente ali, mas a mente e o espírito parecem ter se esvaído daquelas jovens massas corporais como em uma viagem astral, cada um está vagando em uma parte diferente desse imenso planeta azul, mas não azul de água, essa está em falta, azul da cor dos LEDs emanados daqueles visores mais sensíveis ao toque do que a própria pele humana. Mais um ruído, parece ser um desses aparelhos vibrando, olho pra mesa, dessa vez é o meu, respondo? Ou mostro pra ele quem tem as rédias sobre a minha vida?


Pedro Bragança

2 comentários:

  1. Olá, Pedro, gostei de sua crônica, e infelizmente você tem razão, não vivemos momentos reais. O que você falou retrata nosso cotidiano, as pessoas de todas as idades se submetem a esses aparelhos que a cada dia coloca mais gente na solidão. Estão com amigos, mas não basta, precisam de centenas de amigos para bisbilhotar um a vida do outro. A prioridade hoje são as redes sociais (que não faço parte) com amigos que nunca viram. Não sei onde essa geração de agora, que nascem já com tablete nas mãos, vai parar, e o que farão de suas vidas.
    Gostei de seu blog, é limpo, com crônicas curiosas e sérias. Voltarei para ir lendo aos poucos. Só achei falta do quadro de seguidores do blogger - não a rede do Google -, mas o do "Google Friend Connect" que abre direto no seu blog, quando clica na foto.

    Bjus, parabéns.

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  2. Oi Tais, muito obrigado pelo elogio, fico muito feliz por ter transmitido o que eu pensava, quando terminamos de escrever ficamos leve por ter descarregado os pensamentos, mas ainda fica a dúvida se foi transmitido com fidelidade o sentimento. Fico extremamente feliz ao ver sua reflexão e perceber que é cópia fiel dos meus sentimentos. Estou aprendendo a usar o blogger em breve colocarei o local para seguir.

    Mais uma vez obrigado.

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