quarta-feira, 11 de junho de 2014

Bibliotequice conjugal

É preciso virar uma página para ler a outra, e quando o livro é ruim devemos colocá-lo na prateleira e escolher outro que te faça feliz. A vida em si é como um livro, um não vários livros, nela encontramos todos os gêneros e gostos, há quem viva um belo romance policial, ou quem se perca em universos maravilhosos de ficção, outros preferem viver um drama, ou um dramático terror. Podemos então dizer que vivemos com certa “bibliotequice”. Não importa que livro você tenha em mãos, leia, digo viva. Tem que viver de verdade, se sentir vivo, e isso vai além de folhear paginas e mais paginas borradas com letras Arial tamanho 10 (dez).
Certa noite eu li um livro, a personagem principal era uma mulher que passava por um dilema comum na vida de quem tem sentimento. Como terminar um casamento sem deixar o próximo triste? Era tudo que ela queria saber naquele livro cheio de reflexões, risadas e expressões sérias. Olha que livro se tornou a vida dela, ela se sentia só, o marido já não se assemelhava aquele que cuidava tanto dela, pois aquele que era atencioso já não estava presente ali, ele nunca a chamou de “amor” apenas “bebê”, ta certo ninguém é perfeito, mas no começo a tratava como tinha que ser, como única, uma esposa infungível! Mas tudo foi mudando, o marido que antes sorria e sentia prazer em conversar bastante, em saber como foi o dia de sua “bebê” ( kkk não consigo não rir nesse bebê) agora era frio, não dava atenção, deixaram cair na rotina, é que quando não se tem amor fatalmente vai cair na rotina, e com isso ele estava prestes a perder a melhor mulher da vida dele.
 Foram apenas três anos de casamento, mas pra ela foi uma vida, ela se dedicou ao máximo por ele, por eles juntos, fez planos, sonhou, sempre tentava fazer dele o homem mais feliz, sorria pra ele mesmo em dias ruins, quando não estava perto ligava só pra conversar um pouco. Para ele isso era um sacrifício, não gostava de conversar muito, era cheio dos “não me toque”, me lembrou muito alguns homens e mulheres que mudam do vinho pra água só para que a companheira termine o relacionamento e ele saia como vítima. Ela, que já vivia muito tempo sofrendo com isso, não sabia como terminar, sabia que é isso que queria, sabia que não o amava de verdade, mas mesmo assim se recordava dos momentos felizes e que estes mereciam um mínimo respeito. Demorou mas viu que precisa gostar de si também, precisava se valorizar, se deu conta que era nova e precisava viver uma vida feliz, talvez se apaixonar outras vezes.
Se hoje ele sabe a dimensão que a cama tem e a mesa do café é farta de solidão é porque a falta que ela faz na vida dele entra em ironia com a vastidão de mulher existente no planeta. Antes de ela o abandonar, ele já havia abandonado ela, dentro de casa ele era literalmente um cego procurando a luz na imensidão do paraíso. O dia não é mais tão bom sem o telefonema com a voz doce dela pronunciando palavras de carinho, ela que agora acordou pra vida vai procurar alguém pra dividir aquela preguicinha de segunda-feira, das várias fatias do bolo ela era aquela com a cereja, quando ela sorria tudo parecia mais lindo, mas ele não enxergava, preferia a companhia dos amigos e falar de futebol, deixou de falar de amor, deixou de elogiar o novo corte de cabelo dela, mesmo sabendo o sacrifício que ela teve “fechando a boca” e caminhando para chegar ao final de semana e caber naquela calça, só porque ele já tinha elogiado uma vez, ele não era capaz de elogiar. A sua alma fria matou o que ela tinha no coração. Hoje ele lembra que quando demorava ela entendia, falava e ela acreditava, chegava ela sorria e fingia estar brava, mas só queria sua companhia. Agora ela vai querer alguém pra dedicar o pôr do sol, com a certeza que não é, mas vai estar se sentindo a primeira.
 Eu não li o livro todo porque é daqueles livros que devemos ler pausadamente, devemos apreciar cada detalhe, cada sorriso, cada vez que a voz fica mais baixa ou se exalta, parece que o livro que no começo eu disse ser como a vida, é também como os relacionamentos, então escolha um livro certo, dedique, você tem a vida inteira pra ler, então escolha um que não vá te decepcionar, na verdade não tem como saber se o livro ou o relacionamento vai te decepcionar, então leia, viva pro seu livro, mas viva pra você também, e não decepcione seu livro, esteja sempre presente ali pra rir com ele,  pra viver muitas aventuras, para passarem vergonha juntos, sofrer juntos, mas ser feliz juntos também.



Pedro Bragança

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